Primavera verde-amarela

Criado por Letícia Castro em em 24/06/2013

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Diga lá amiga e amigo leitor do BABEL.com, você imaginava, no começo deste ano, que antes do final do primeiro semestre iríamos ver tamanha reviravolta no cenário social do país? As manifestações que têm ocorrido nos últimos tempos, com o agravamento dos confrontos na capital paulista há duas semanas, culminaram em uma onda de protestos que não se via por aqui há 21 anos, desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

A marcha que se estendeu por todo o território nacional na noite da segunda-feira, 17 de junho, uniou centenas de milhares de brasileiros que faziam, pela primeira vez, reivindicações que não se resumiam a uma única pauta. O estopim, os R$ 0,20 que caracterizaram o aumento da tarifa no transporte público, apenas detonou um sem-fim de clamores que vão desde o preço da passagem de ônibus até os gastos faraônicos nos investimentos para a Copa do Mundo, quando os serviços e a infraestrutura de modo geral carecem de subsídios. As faixas exibidas nas mãos dos manifestantes reivindicavam tudo. É uma revolução sem tema, sem líderes, sem nome, sem cara. A cara do Brasil.

manifestacao_avenida_Paulista_17dejunhoManifestantes cobertos de verde amarelo na frente do prédio da Federação das Indústrias do Estado, a Fiesp

O BABEL se juntou, naquela emblemática segunda-feira, à concentração que cruzou de ponta a ponta a av. Paulista, símbolo da capital do estado. O que vi foram pessoas determinadas a lutar pelo que acreditavam de modo criativo e pacífico. É um comoção que lembra o recente levante ocorrido em países como o Egito e que acabou ficando conhecido como “Primavera Árabe”.

Nem mesmo o cenário armado para receber a Copa das Confederações, um “esquenta” para o mega evento que ocorrerá no ano que vem, serviu de desculpa – ou motivo – para conter a indignação. O ópio do povo não conseguiu entorpecer nem a camada mais popular, geralmente solidária com o governo. Todos estão nas ruas, levantando a voz por sua comunidade, por si mesmos, engrossando o coro.

Na próxima quarta-feira, a seleção jogará em Belo Horizonte e, como tem acontecido a cada partida, o entorno do Mineirão provavelmente se transformará também em um estratégico ponto de encontro para os protestos. Nenhuma câmera tem podido deixar de registrar, nem sequer o principal narrador esportivo do país. Está aí, para o mundo todo ver. É inverno no Brasil e estamos em reforma.

Comentários (4)
  1. Alair Barros comentou, em 25/06/2013:

    Eu imaginava uma futilidade danada. Achava que o direito de se endividar sarava todas as dores. Mas quando o dinheiro acabou o dia clareou pra muita gente que agora cobra seus direitos. É bom lembrar dos deveres com as urnas se não a vaca vai pro brejo!
    Espero que não dê fadiga e que a luta continue.

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  2. Letícia Castro comentou, em 25/06/2013:

    Arrasou no comentário, Lalá! É isso aí mesmo, minha amiga, tomara que todo mundo continue bem consciente e siga “desperto” atrás dos seus direitos, não se esquecendo de suas obrigações.
    Saudades de vc!
    Beijos e muuuito obrigada pela mensagem!

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  3. Jaime Guimarães comentou, em 25/06/2013:

    Letícia, em primeiro lugar parabéns pelo novo layout do Babel. Ficou maravilhoso! :)

    Olha, eu esperava algumas manifestações sim, pois na África do Sul em 2009 (Copa das Confederações) e 2010( Copa do Mundo) aconteceram vários protestos, greves e manifestações de diversas categorias – rodoviários, ferroviários, operários da construção civil, pessoas cobrando por melhorias em serviços públicos; mas não imaginava que cá no Brasil os protestos seriam gigantescos. Ninguém imaginava, sobretudo a classe política do país, perdidinha com o que está acontecendo nas ruas.

    Vejo tudo o que está acontecendo com muito otimismo. Essas manifestações gigantescas juntaram-se a outras tantas pelo país ( Marcha das Vadias, protestos e marchas contra a homofobia, direitos indígenas, etc) e compõem o cenário de um Brasil que está bem acordado há algum tempo… :)

    Beijos, Letícia! Sucesso!

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    • Letícia Castro comentou, em 25/06/2013:

      Que bom, né Jaime? Que bom também podermos testemunhar isso in loco, além de nos juntarmos ao movimento. A democracia nos permite respirar a liberdade e esse sopro de ar é divino.
      Adorei seu comentário e agradeço muito pelo prazer de tê-lo aqui. Volte sempre, pois o Babel voltou com força total e sempre haverá um texto ou outro precisando de um comentário relevante e inteligente. ;)
      Muito obrigada e beijinho!

      Responder

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