Biscoitinhos da sorte: Um caso de serendipidade

Criado por Letícia Castro em em 14/10/2012
 
São, no mínimo, curiosos os caminhos que o céu encontra para “falar” com a gente. Ultimamente, tem sido através de biscoitinhos da sorte. Essas massinhas de origem chinesa que, geralmente, trazem uma mensagem em seu interior andam me perseguindo como se estivessem mandando recados de verdade. 
 
Desde que o “incomum fenômeno” começou, no início de setembro, confesso que inverti a ordem de consumo dos itens que chegam no delivery. Não que nunca tivesse lido biscoitos da sorte, mas eles jamais haviam se importado tanto comigo… 
 
Sinceramente, nem acredito nos supostos poderes proféticos da iguaria. O encadeamento das mensagens tem feito estranho sentido, no entanto. E lembra outras formas de “comunicação” inusitadas que já me fizeram levantar a sobrancelha e pensar: “Sei…”. 
 
Realmente parece que quando chega o momento de as coisas se encaixarem, ou de elas terem força para acontecer, tudo conspira para que o enredo se sustente, tome corpo, parafraseando Caetano. É como se um batalhão, invisível ou não, garantisse que tudo saia como deve sair. 
 
E aí, me lembrei da mensagem do primeiro “bilhetinho” da série: “Você terá uma surpresa agradável.” Ele veio exatamente no dia em que despejava lamúrias aos olhos de um amigo, que me lia com a paciência e o carinho que só aqueles que nos querem bem têm. Bateu forte. E, como num passe de mágica, uma sequência de “surpresas agradáveis” foram se desenrolando, dia-a-dia, até aquele aguardado momento. The serendipity moment.
 
“Serendipity” é um vocábulo em inglês que, segundo o dicionário Houaiss, corresponde a “aptidão, faculdade ou dom de atrair o acontecimento de coisas felizes ou úteis, ou de descobri-las por acaso”. Na verdade, a tradução do verbete para o português é motivo de discussão entre os acadêmicos. A maioria deles parece concordar que a versão mais adequada seria “serendipidade”. Algo parecido com o que acontece com “saudade”, só que ao contrário. 
 
Saudade já foi serendipity um dia. Sentimos falta é exatamente daquele desencadeamento que deixa boas marcas em nossas memórias. Aquela surpresa boa, o instante em que o que você tanto pediu, fervorosamente, finalmente acontece. O que parece um “milagre” e não deixa de ser apenas uma evolução dos fatos. Não que milagres não existam. Não que Deus não se valha dos fatos para realizar seus milagres do cotidiano.
 
O fato em si é que tanta serendipity pode causar ansiedade, crises dela, de modo mais exato. Há uma definição de sorte que diz que ela é a soma da preparação com a oportunidade. Concordo. Mas, às vezes, o desejo é tão grande que, quando se realiza, não sabemos o que fazer com ele por falta de habilidade mesmo, o que acaba resultando em falta de tato, jeito, e a gente se atropela.
 
Aí vem outro biscoitinho e salva o momento, colocando aquilo que deve seguir de volta à rota de colisão. “Você tem capacidade para ver a verdade maior”, “A persistência consegue realizar o impossível” e o que não estava no script: “Para fazer caber tudo, é preciso aumentar o coração”. 
 
Acho que expandir o coração é sempre um bom conselho. Aumentar o amor, a compreensão e, principalmente, diminuir a resistência. Descobrir por que ela existe também é uma boa ideia. E, quando a causa é nobre, quem se intimida? Eu, certamente que não.
 
Imagem: Ksayer1
Comentários (4)
  1. Claudia Bittencourt Caldas comentou, em 14/10/2012:

    Belo texto, bela reflexão Lê!
    O acaso, como sempre, conspira nas nossas vidas e aquele que fica atento aos seus sinais, certamente não desperdiçará a felicidade destes “encontros casuais”…viva a vida, viva o acaso e suas agradáveis surpresas, serendipite!
    Beijos bonitinha querida!

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  2. LETÍCIA CASTRO comentou, em 15/10/2012:

    Clau, minha linda, vc é minha cúmplice sem eu precisar dizer uma palavra. Sintonia de almas, né querida? Beijos e uma ótima semana a vc!

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  3. Rachel comentou, em 11/12/2012:

    Queria um biscoitinho desses… ^^
    Beijo Lê!

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  4. LETÍCIA CASTRO comentou, em 13/12/2012:

    Oi, chica linda! Quando vc vier à Sampa, eu peço uns biscoitinhos mágicos desses no delivery, tá?

    Beijo!

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