Museu da Língua Portuguesa exibe obra de Fernando Pessoa em exposição até janeiro

Criado por Letícia Castro em em 18/11/2010

“Amo o teu viço agreste e o teu aroma, de virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma”. Assim exalta, o poeta brasileiro Olavo Bilac (1865 – 1918), o seu idioma natal, o português, cuja mistura se perde através dos tempos e dos povos mais distintos.

“A última flor do Lácio” de Bilac também é celebrada e descoberta todos os dias por milhares de visitantes que passam pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. O lugar, que abriga exposições temporárias e permanentes, exibe o dinamismo lingüístico do idioma através de amostras das linguagens coloquial, indígena e de origem africana até o fino da literatura produzida em português.

O espaço, que já abrigou a obra de Clarice Lispector, Gilberto Freyre e Machado de Assis, exibe agora a exposição “Fernando Pessoa, plural como o universo”, com instalações que remetem às mais importantes criações literárias do poeta lusitano. A mostra, que começou em 24 de agosto deste ano, estará aberta à visitação do público até 30 de janeiro de 2011.

O Babel foi conferir a exposição de Fernando Pessoa e trouxe imagens da mostra, onde você poderá ver como está sendo a interação do público com o as obras do autor e ter uma boa ideia de como foi organizada a exposição (melhorar isso). Aqui está o vídeo:

Além dos estudantes, moradores da capital e turistas de outros estados frequentam o museu diariamente. O advogado paulista Luciano Palma, 37, se diz surpreso, pois não esperava encontrar um museu tão moderno para o parâmetro cultural médio do Brasil e sugere que o exemplo seja seguido para todos os segmentos da educação. Luciano diz também que a escolha da cidade como sede para a iniciativa não poderia ter sido mais acertada, “São Paulo é o lugar onde chacoalharam o idioma e deu certo”, afirma, lembrando a pluralidade das diferentes origens, sotaques e linguagens dos habitantes. Já o carioca Jorge Fortunato, administrador de empresas, 42, diz ter ficado deslumbrado e que não se arrepende de ter passado um dia inteiro lá. “Foi muito agradável, além de tudo, poder ter ido à Pinacoteca, que fica do outro lado da rua. A região tem um forte apelo cultural”, conclui.

Do outro lado do oceano, a expectativa de quem nunca foi ao museu que celebra a própria língua não é menor. O web designer português Luis Filipe Cabral, 35, morador de Coimbra, afirma ter “esperanças de um dia conhecer o museu” e se diz “emocionado por existir um lugar que homenageia a língua lusitana.”

O Museu da Língua Portuguesa é composto por setores diferenciados, divididos em três andares. No primeiro, encontram-se as exposições temporárias, geralmente temáticas, sobre escritores de língua portuguesa.

No segundo andar, o visitante tem acesso à exposição permanente, que conta com painéis eletrônicos e instalações interativas sobre a história e origem do idioma. O painel “Grande Galeria”, de 106 metros de comprimento, impressiona pela dimensão e exibe projeções simultâneas de filmes mostrando a língua no cotidiano de seus usuários. Os totens “Palavras Cruzadas” são dedicados às influências das línguas e dos povos que contribuíram para formar o português falado no Brasil e nos demais países. Na “Linha do Tempo”, é possível interagir com recursos lingüísticos que levam o visitante à história de como a língua se formou através dos anos.

O andar traz ainda as seções “Beco das Palavras”, um jogo eletrônico interativo com o significado e a origem das palavras em português, e “História da Estação da Luz”, onde painéis relatam como surgiu a simbólica estação de trem paulistana que recebeu os primeiros imigrantes e agora abriga o museu em suas dependências.

No terceiro andar, estão localizados o auditório e a “Praça da Língua”. No auditório, o público assiste a um filme de 10 minutos, narrado por celebridades como Maria Bethânia e Fernanda Montenegro, sobre as origens do português do Brasil. A “Praça da Língua” é tida como um planetário do idioma, composto de imagens projetadas e gravações em áudio de alguns dos textos mais importantes da literatura em português. Os textos e poemas são recitados por artistas conhecidos de origem brasileira e portuguesa e, entre eles, estão obras de Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Gonçalves Dias e Nelson Rodrigues.

Durante a projeção, trechos das obras vão aparecendo, em jogos de luz, pelas paredes e teto do recinto, devidamente escurecido. Quando a iluminação volta, o visitante percebe que as citações também estão gravadas no chão, em um labirinto de palavras e sensações a cada quadrado do piso.

O Museu da Língua Portuguesa pode ser visitado de terça a domingo, das 10h às 18h, não abre às segundas-feiras. O preço do ingresso é de R$6,00 e estudantes com carteirinha pagam meia-entrada. Professores da rede pública com holerite e RG, crianças até 10 anos e adultos a partir de 60 anos não pagam. Aos sábados, a visitação é gratuita. Para mais informações, ligue: (11) 3326-0775 ou mande um e-mail para museu@museudalinguaportuguesa.org.br.

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