Carta à Amy e um toque a você que não se manca

Criado por Letícia Castro em em 25/07/2011

E aí, gata? Loucura, né? A primeira vez que te ouvi não foi pelos acordes de Rehab (que me fez cantar a valer e chorar de rir, sem ter a menor ideia do teu drama…). Um ex-professor de canto me pegou no contrapé e me fez traduzir uma música sua… Nem me lembro, mas tinha um monte de palavrão e frases cruas, dessas de gueto mesmo, ditas com uma verdade e uma voz tão “de verdade” que ali me pareceu ter algo singular. Meu professor também padecia de uma questão de saúde gravíssima. E eu ali, no meio de dois “malditos”, com minha própria compulsão. Anyway, conversamos um bocado sobre você and I was stung.

Então… aí aconteceu tudo isso. Um dia, disse algo como “está todo mundo esperando para ver quando será”. Mas, olha, eu torcia para que nunca fosse. Muito longe do glamour mórbido do Clube dos 27, o que eu queria mesmo era que você produzisse mais, era te sorver mais um pouquinho, sabe? De cara limpa mesmo.

E vem a Rosana Hermann e escreve este post. E você precisa saber que, “guardadas as devidas proporções”, entendo o que te acontecia. Tenho dificuldade em manter o peso. A vida toda foi assim e já houve épocas em que consegui, por longuíssimos períodos de tempo, ficar longe da tentação mais próxima. Então, comecei a perceber, muito recentemente, que não tem a ver só com força de vontade (como afirmou a querida Rô). Assim como quem fuma, tem um chipzinho aqui dentro que nos leva a um ímpeto muito difícil de controlar. E aí você traga, cheira, bebe ou nhoc!

Foi importante perceber isso. Deu medo também. No meu caso, tenho um histórico até positivo e nenhuma doença relacionada. É questão de ficar atenta e não deixar a peteca cair mesmo. Mas, aí eu te vi despencar… Doeu, meu. Cara, como doeu! Porque você, em um mar de Lady Gagas da vida, era o real deal, sabe? Um fio de esperança em meio a tanta mediocridade e pseudo-divas de gravadora.

Muito cedo, Amy! Eu queria mais!

Resolvi te fazer uma homenagem my way. Hoje, me levantei, passei na farmácia, me pesei e retomei meu Vigilantes (que me ajudou pra caramba no ano passado). Não é regime de segunda-feira, até porque o Vigilantes do Peso é um curso de reeducação alimentar e o que me motiva são as vitórias que consigo a longo, bem longo prazo. Mas, a questão agora envolve um outro ingrediente. Cada passo, conversando comigo mesma, fui tomando ciência de que era como aquele gole que podia ter sido evitado, aquela cheirada, ou aquela barra enorme de chocolate que eu mesma já atirei no lixo, intacta, em tempos passados.

E vejam que dureza, senhores, a dita barra me foi presenteada por uma das pessoas mais queridas da minha vida. Assim como aquele pedaço enorme de bolo de aniversário que te dão, sem pensar duas vezes, e ainda dizem: este é especialmente para você! “Com todo carinho do mundo”. Decidi estar consciente. Quando você conhece as armadilhas, controlar se transforma numa possibilidade mais palpável. Vou continuar minha homenagem a você, querida. E continuará sendo dia após dia, como até hoje.

E que pare de encher o saco quem não tem a mínima ideia do que é ser assim. Amy Winehouse sucumbiu, não conseguiu, e o melhor que você faz nessa hora é recolher esse dedo podre e se mirar no espelho. Pode ser que, para sua desagradável surpresa, descubra um “bolo-de-noiva” bem em cima da sua cabeça.

Comentários (24)
  1. jorge fortunato comentou, em 25/07/2011:

    Letícia
    Seria chover no molhado dizer que o teu texto está perfeito. Ouso dizer que é o mais sincero de todos, também. Muitas vezes não entendemos as pessoas e até criticamos. é fácil julgar sem conhecer o íntimo, os porquês. Amy foi um cometa, chegou, brilhou, passou. Mas deixa essa experiência que nos leva a pensar muito sobre a vida e o que estamos fazendo.
    Um beijo

    Responder
  2. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Jô querido, você tem toda razão. Às vezes, o exemplo vem ao contrário, daquilo que não se deve fazer, né?

    Eu tenho certeza de que o vai ficar de Amy é o vozeirão, a audácia e o talento incontestável.

    Adorei seu comentário, como sempre, viu? Vou lá visitar o Acabou… daqui a pouquinho.

    Beijocas!

    Responder
  3. Wander Veroni comentou, em 25/07/2011:

    Oi Lê!

    Lindo isso que vc escreveu, cumade. Principalmente por compartilhar com todos as sua luta pessoal de modo franco e verdadeiro. Também fiz um post em homenagem à nossa querida Winehouse, que tinha uma voz singular e um som que vai fazer falta.

    Ontem li o post da Rosana e fiquei pensando sobre isso: não é só a força de vontade. Tem muitas outras coisas, outros fatores, a nossa cabeça, principalmente. E como a nossa mente pode nos pregar peças….rs

    Sem contar que a Amy era viciada em várias drogas. Não era uma. Eram várias. E sair de uma dependência química é uma barra muito difícil…aliás, sair de qualquer vício ou estado de compulsão é muito difícil.

    Por isso é tão importante o seu post para que as pessoas parem de apontar o dedo para Amy sem respeito pelo o que ela foi, ou é (pois a obra musical dela é eterna).

    Foi uma das despedidas à artistas mais bonita que li até agora. Parabéns de verdade, amiga.

    Beijos,

    http://cafecomnoticias.blogspot.com

    Responder
  4. Letitia Morgan comentou, em 25/07/2011:

    Gostei muito da tua carta.
    Uma das poucas homenagens onde a exploração dos graves problemas (passados) de Amy não são tema. Sem moralizações.

    A única história a tirar daqui é que tenho muita pena, de não ter mais novidades dela, mas não me vou cansar de ouvir o seu legado.

    Abraços!

    Responder
  5. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Pois é, compadre, é uma batalha ganha atrás da outra, né? O que não podemos é esmorecer, recomeçar todos os dias e saber que é o acúmulo desses dias que vai permitir que estejamos em boas condições. Eu até gosto de estar no meio das pessoas que tentam cuidar de sua saúde, prestando atenção ao que comem, malhando. Não fazer nada disso é ir na contramão, eu acho.

    Muito obrigada pelo que vc disse, viu? Ela merece nosso reconhecimento, com certeza.

    Vou lá ler teu post daqui a pouquinho tb. ;)

    Beijoconas!

    Responder
  6. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Lê (é a primeira vez que encontro alguém que tem o nosso nome em versão em inglês, adorei!),

    Concordo com vc, querida, o que fica é uma saudade do que a gente ainda queria e o legado que é eterno. ;)

    Seja muito bem-vinda e obrigadíssima pelo comentário, viu?

    Beijos!

    Responder
  7. Letitia Morgan comentou, em 25/07/2011:

    Lê, os meus pais são os mais amorosos do mundo, mas não são perfeitos… o meus nomes próprios são: Letitia Inês… rsrs
    Beijos!

    Responder
  8. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    É lindo, querida! Beijos! hehehe

    Responder
  9. Amanda Navarro comentou, em 25/07/2011:

    Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra não é mesmo? A vida é repleta de vícios, arrependimentos e caminhos errados.
    Alguns não tem a oportunidade de começar de novo, pobre Amy. Outros, como nós sortudas, podem olhar para o lado e fazer desses exemplos de derrota degrais para o nosso triunfo.

    Amei o texto Letícia! Força…

    Beijoo

    Responder
  10. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Amanda, querida, adorei! Você disse tudo: quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra. O problema é que essas pessoas só não admitem, né? Porque todos os temos, de um jeito ou de outro.

    Pode deixar, tô firmona aqui! :)

    Beijo muito carinhoso e obrigada, viu?

    Responder
  11. Michele Souza comentou, em 25/07/2011:

    Lelê!!!

    Que texto lindo, amiga.

    A vida é uma questão de escolha. Somos o tempo exigidos a tomar algum tipo de decisão, ás vezes, entre duas coisas boas outras vezes nem tão boas assim.

    É uma pena, constatar que o talento foi sucumbido por não ter feito a escolha certa em algum momento. Com isso, perde todo mundo: perde a família, perde os amigos e perdemos nós que ficaremos sem esse talento inquestionável.

    Em nossas escolhas, muitas vezes os caminhos são longos e até mesmo cheios de sacrifícios, mas estes são suavizados pelo resultado. Resistir às tentações faz parte do pacto que fizemos para concretizar os objetivos e assim almejar o que pretendemos.

    Boa sorte, parabéns.

    beijos

    Mi

    Responder
  12. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Nossa, Mi, valeu a pena esperar,hein? Seu comentário foi maduro e preciso, querida, a mim só me resta concordar plenamente. Sim, a vida é feita de escolhas e doi muito quando nos damos conta de que fizemos a escolha errada pelo caminho.

    Só nos resta ter a paciência e a humildade de reconhecê-lo e melhorar para que, quando a oportunidade apareça de novo, possamos agir de forma mais acertada.

    Um beijo enorme e adorei muito, viu?

    Responder
  13. Geraldo comentou, em 25/07/2011:

    Olá Leticia,

    Considero-me (neste caso) um ser de outro mundo ou de outro planeta, porque ontem no Fantástico foi a primeira vez que escutei uma música da Amy. Sou (no caso também) mais fã da outra Amy (Lee), do Evanescence. Agora quanto as questões neuroquimicas da obesidade, dependencia de drogas e similares, tem acompanhado casos e mais casos, e sem juizo de valor, vejo que (quase) sempre é conjunto de fatores e não isoladamente o determinante. Ou seja, não é “stricto sensu”.

    É o que penso e que em poucas linhas gostaria de dizer…

    Abraço

    Responder
  14. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Amigo querido, vc tem toda razão. Eu nem sei se existe até uma certa graduação de nível de dependência, acredito que sim, porque, vejo por mim mesma, que consigo levar numa boa a coisa, é só mesmo questão de estar alerta. Na verdade, acho que o meu caso é bem parecido com o de todo mundo que se preocupa em estar em forma, todo mundo faz sacrifícios, se policia, etc., né?
    Acho que o que tem que acontecer é não perder a mão, me parece ter sido um pouco o caso da Amy, além daquelas outras razões que nenhum de nós conhece por pertencerem ao foro íntimo da cantora.

    Adorei sua opinião embasada, viu?

    Beijos!

    Responder
  15. Kátia Almeida comentou, em 25/07/2011:

    Letícia não te conheço…vim parar aqui através do Jorgito. Amei o seu texto. É muito bom transformar em uma coisa boa essa vivência triste. Ela deve estar contente, esteja onde estiver! Bjkas e mais uma vez Parabéns!

    Responder
  16. Daniela Figueiredo comentou, em 25/07/2011:

    Adorei! É, disciplinar-se não é fácil, mas necessário quando queremos. Felizmente o teu vício é só a comida, imagine o da pobre Amy. Grande cantora, nos deixou cedo, pena não ter ficado mais um pouco mostrando mais do talento que não se manifestou mais, com novas criações, porque a droga não deixou. Força, Letícia, escolheste o melhor caminho: a reeducação alimentar. Sou contra àquelas dietas malucas que proíbem de comer algo. Aprender a comer de tudo, na quantidade certa é o mais saudável. Depois tu te acostumares, nem conseguirás comer mais do que recomendam (experiência própria). Beijos.

    Responder
  17. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Kátia, vc entrou na minha casinha, agora somos íntimas. Pode pôr o pé na mesa e abrir a geladeira. Vou agradecer ao Jô querido por te trazer até aqui.

    Olha, se ela tiver visto isso aqui, já consegui o que queria, com certeza.

    Beijo carinhosíssimo e volte sempre! Obrigada!

    Responder
  18. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Ai, Dani, como é bom te ter por aqui de novo… Puxa, quando os afetos são verdadeiros, eles se reecontram, não é mesmo? Sim, minha querida, tem a ver com disciplina, daquelas de bailarina do Municipal, não pode descuidar nem um minuto! Mas, vale a pena sim, o resultado aparece e a gente sente que tudo valeu a pena.

    Agora, um dia, gostaria que vc compartilhasse comigo a tua experiência, fiquei morrendo de curiosidade aqui, viu?

    Beijos enormes, flor!

    Responder
  19. Ligia Gally comentou, em 25/07/2011:

    They try to make me go to REHAB and I say NO NO NO!! No final somos todos assim, canibais de nos mesmos.==XXX

    Te amo Lele Xuxa

    Responder
  20. Ligia Gally comentou, em 25/07/2011:

    Aos pouquinhos estou voltando com o meu Blog. Vamos ver se voce me incentiva a entrar nisso de vez.

    Passa la===)))

    Responder
  21. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Lilinda, vai lá ver o que comentei no texto da Maria Eduarda. Estou chorando de rir aqui, porque caiu como uma luva e descobri que não, não seria feliz como ela, assim.

    Lê lá e depois te explico por que.

    Beijones, amore, e ADOREI teus comments, viu?

    Responder
  22. LETÍCIA CASTRO comentou, em 25/07/2011:

    Tb te amo muito! :D

    Responder
  23. Claudia Bittencourt Caldas comentou, em 26/07/2011:

    Lê!
    Adorei sua “carta a Amy”, cujo texto sensível é extensivo a cada um de nós.
    O que ocorre no nosso íntimo só nós sabemos, mais ninguém, portanto não cabe a ninguém fazer julgamentos.
    O fechamento da sua cartinha é perfeito, amei!
    Um abraço muito carinhoso na minha querida amiga de alma tão sensível.
    Beijocas

    Responder
  24. LETÍCIA CASTRO comentou, em 26/07/2011:

    Clauclau, agora deu certo e AMEI seu comment, viu? Vc disse bem: é extensivo, né? Não existe um só ser humano livre dos seus próprios perrengues, alguns que vem de fora e outros que criamos na nossa cuquinha mesmo.

    Muito obrigada por passar por aqui e trazer um pouco do seu perfume, viu?

    Beijos!

    Responder

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