Gameficação da educação: Criando jogos digitais, alunos aprendem lógica, matemática e programação

Criado por Letícia Castro em em 05/11/2014

gameficacao-da-educacaoO assistente de tecnologia educacional Renato Farias ajudando os alunos da Oficina de Games

 

da Redação

No começo do ano de 2014, um grupo de alunos entre 10 e 11 anos do Colégio Oswald de Andrade, em São Paulo, surgiu com a ideia de estudar a criação de games na escola, depois do horário de aula. Jogadores assíduos em casa e com os amigos, os alunos do 6º ano do Fundamental II procuraram os educadores do Oswald para sugerir as aulas de criação de jogos. A partir daí, foi desenvolvida na escola a Oficina de Games, que hoje conta com dois módulos e está ensinando às crianças todo o processo de desenvolvimento de um jogo, além de lógica e conteúdos matemáticos.

“É muito importante estimular a busca dos alunos por mais autonomia, inclusive quanto aos temas que desejam aprender”, comenta o educador de laboratório Victor Menna. Ele foi um dos educadores procurados pelas crianças para ouvir a proposta daquilo que se tornaria a Oficina de Games. “No Oswald, eles sabem que estão num ambiente propício para o aprendizado e rico em conhecimento. Os alunos são ouvidos e levados a sério ao trazerem propostas educativas”.

Renato Farias foi outro educador que ouviu a sugestão dos alunos – e gostou da ideia. Assistente de tecnologia educacional, Renato uniu-se a Victor e juntos desenvolveram uma grade de estudos para a Oficina, que aconteceria uma vez por semana até o final do semestre.

‘Gameficação’ da Educação

De acordo com Victor Menna, dentro da Oficina de Games, os alunos têm a oportunidade de aprender conteúdos que estão à frente do currículo de sua série. “Os alunos já estão dominando coordenadas cartesianas, que é um conteúdo da matemática que eles só estudariam no 8º ano do Fundamental II”, conta o educador. “Isso porque nós estamos inserindo e trabalhando algumas habilidades curriculares em um contexto interessante a eles”. (Na foto, o educador Victor Menna auxiliando aluno da Oficina)

Para Victor, a atitude do Colégio em analisar uma proposta como essa é comum no Oswald, mas pode ser considerada um diferencial em comparação a outros colégios. “As escolas tendem a ficar presas ao currículo de uma forma tão engessada que não observam outras oportunidades de aprendizado, principalmente as que partem dos interesses dos próprios alunos”, explica.

Além do suporte do próprio Colégio, as famílias dos alunos também gostaram da ideia quando a Oficina de Games foi divulgada nas redes sociais do Oswald – o que foi uma ótima surpresa para a equipe pedagógica.

“A criação e o consumo de jogos digitais na infância não são vistos com bons olhos mesmo hoje”, admite Victor Menna. “Eu já presenciei, por exemplo, um sentimento de abominação geral aos jogos eletrônicos durante um congresso de inovações pedagógicas”, conta. “O importante é deixar claro para a comunidade escolar que os alunos não vão simplesmente jogar como um passatempo, mas desenvolver um produto e produzir conteúdo”, afirma o educador.

Como funciona a Oficina de Games

“Em um primeiro momento, pensamos em uma oficina que trabalhasse primeiro a investigação: o estudo da lógica, do desenvolvimento da história, das regras de um jogo”, conta Farias. No Módulo I, os alunos conheceram o processo da criação de um jogo partindo dos jogos de tabuleiro.

“Quando os alunos começaram a criar os jogos, eles começaram também a criar hipóteses, imaginando situações que os jogos pudessem a apresentar”, explica o educador de tecnologia. “Nisso, descobriram se os jogos estavam divertidos ou não, se o tempo do jogo estava adequado, se a dificuldade não atrapalhava o andamento do jogo ou se estava fácil demais”.

Depois de entender o processo da criação de um jogo analógico, era o momento de partir para o tão aguardado computador. Os alunos aprenderam a utilizar um software de programação chamado Scratch, desenvolvido pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology – referência mundial na educação e formação de profissionais e cientistas da área tecnológica). O software foi desenvolvido para o ensino de programação de jogos voltado às crianças, de forma lúdica e gratuita.

Já no segundo semestre do ano, foi a vez de pôr a mão na massa com o Módulo II. “O Scratch funciona com o emprego de blocos de código. Os alunos começaram desenvolver os jogos e emparelhando os blocos que precisavam para movimentar o cenário e o personagem, para inserir trilhas, ações, dentre outras possibilidades”, explica Renato. “Hoje temos seis jogos sendo produzidos, sendo que as primeiras fases já estão concluídas”.

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