Nasce o Babel.com

Criado por Letícia Castro em em 24/03/2008

Brueghel-tower-of-babel

Babel*
(Erickessen Sauer – heteronômio)

Dos corpos quem rolam nas poeiras do tempo banhados pelos sol e lua
Somente tu não ouves só tu não vês encantos e feitiços eras em conflito
Destes de beber fel a derrota cegando olhos na fumaça do ente maldito
Porque não permaneces onde estás guardando os homens a carne crua

Horror invade essa casa de névoa a qual jamais se deseja encontrar nua
De qual lugar eles vêm para reverem torre ao muro que a defende invicto
Tais estranhos quem rondam na vigília da casa em busca do amor infinito
Pois este dom é língua universal igual à uma mãe amamentando filha sua

Da madrugada não sentes o frio sopro mortal não esfria o chão das raças
Lençóis do leito nupcial ante mãos poderosas sufocam voz calada à lança
Quem entre eles pode gerar do barro filho do Homem entregue às traças

Morte varões acorrentados vinga ao amor pelo sangue da morta vingança
Ódio o pai por desonrada obsessão oculta que olhos vêem ante desgraças
Céu e terra olham pecado do destino quem matou as mãos da esperança

 
Olá. Sou Letícia Castro, jornalista, e hoje é com muito prazer que apresento o Babel.com: um blog com textos jornalísticos (pero no mucho…), em português e outros idiomas, que será, entre outras coisas, um portfólio online, uma vitrine cibernética do meu trabalho profissional. Um dos motes do Babel.com é fazer algo provocativo, até meio ferino, para remeter ao uso da língua em suas amplas funções, como a de idioma e de transmissor de mensagem.

Por que em vários idiomas? A inspiração vem de uma canção da cantora Noa (radicada em Israel, é ela que canta o tema do filme “A vida é bela”) chamada Babel, que diz: “pardon me for babeling/comme des milliers de mots/pardon me for babeling,/qui t’envoient des signaux (desculpe-me por “babelar”/milhares de palavras/desculpe-me por “babelar”/palavras que te enviam sinais).”

Pois é, sempre pensei que uma maneira verdadeira de uma pessoa se comunicar com alguém de outra cultura seria dominando os códigos da sua língua. Falar mesmo, “sem ruídos”, e fazê-la entender, exatamente, o que você quis dizer (e vice-versa, claro). Sem gestos, sem gaguejar, sem os muitos “portunhóis” por aí. Aliás, o “quis dizer” por si só é um assunto à parte. Quantos mal-entendidos não criaram confusão pelo que se achou que se falou e etc.? Em línguas diferentes, então, nem se fale. Sem contar que as relações diplomáticas são feitas de diálogos em signos distintos para, pelo menos, um dos interlocutores todos os dias. Às vezes para os dois.

“Babelar”, que é um neologismo da canção, no nosso blog será isso: ao contrário do mito antigo, a mensagem viajará e poderá ser compreendida, por quem quiser, mundo afora. Alguém sempre vai entendê-la e isso faz do Babel.com um canal aberto para encurtar distâncias. O espaço também pretende ser democrático e pra isso precisa de você. Comente, opine, enfim, “dê o seu pitaco” e aproveite para se expressar nos idiomas dos textos, se tiver vontade. Comunicar-se é isso, estabelecer contato com o outro e trocar com ele: que as nossas trocas nos façam aprender ainda mais.

Cordialmente,

Letícia.

Imagem: Torre de Babel, de Bruegel

*Soneto dedicado ao BABEL.com em 31/10/13 pelo poeta paulista Erickessen Sauer.

Comentários (4)
  1. Luciano comentou, em 26/03/2008:

    Minha Linda, a existência de um lugar como este na internet só poderia ter sido criado por você.
    Parabéns e muito sucesso!!!
    Congrats!!!
    Felicitaciones!!!
    Beijos

    Responder
  2. Paulo José de Alcântara comentou, em 28/03/2008:

    Só a internet para ter um lugar para “Babelar”!
    Muito legal o blog.
    Acessarei outras vezes.
    Parabéns.

    Responder
  3. Daniel comentou, em 07/04/2008:

    Me encantó el babelar de vc.

    Éxito y parabéns.

    Responder
  4. Wander Veroni comentou, em 31/12/2008:

    Lê, amiga querida: não resisti e vim até aqui para ver o post inaugural do blog. Apesar de todo mito que envolve a torre, em que várias línguas se juntam, neste espaço que vc criou elas contribuem para que, mesmo de uma forma muito carinhosa, que não só eu, mas os seus leitores, aprendam (ou conheçam) vários idiomas na prática.

    Apesar de não ser poliglota, com você aprendi que não há limites para o idioma. Umas língua gera outras tantas línguas…basta deixar-se querer aprender.

    Primeiro ano do blog vem aí: temos que comemorar em grande estilo!!!

    UHRUUUUUUUL!!!

    Beijos e feliz ano novo!

    =]
    —————
    http://cafecomnoticias.blogspot.com

    Responder
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